Condutacardiologia

Hipertensão Arterial

Publicado em 04 de fev. de 2026
Atualizado em 04 de fev. de 2026

Baixo Risco

Resumo Clínico Inicial

Definição: Condição crônica caracterizada por elevação sustentada da pressão arterial sistólica ≥ 140 mmHg e/ou diastólica ≥ 90 mmHg, aferida corretamente em múltiplas ocasiões.

Importância Clínica: Principal fator de risco modificável para doença cardiovascular. Responsável por 45% das mortes cardíacas e 51% das cerebrovasculares no Brasil.

População Afetada: Acomete 30-35% da população brasileira adulta. Prevalência aumenta com idade (65% em maiores de 60 anos), obesidade e sedentarismo.

Diagnóstico: Baseado em múltiplas medidas de PA em consultório (≥ 140/90 mmHg), confirmação por MAPA (≥ 130/80 mmHg) ou MRPA (≥ 130/80 mmHg). Investigar lesão de órgão-alvo e causas secundárias.

Conduta: Modificações de estilo de vida para todos. Terapia farmacológica combinada para HAS grau ≥2 ou grau 1 com risco moderado/alto. Classes de primeira linha: IECA/BRA + BCC ou tiazídico.

Red Flags: PA ≥ 180/120 mmHg com sintomas, angina, dispneia aguda, déficit neurológico focal, cefaleia intensa súbita, alteração visual aguda, rebaixamento de consciência, dor torácica.


Índice


CONDUTAS MÉDICAS

Introdução

A hipertensão arterial sistêmica é uma condição crônica de elevada prevalência mundial, afetando mais de um bilhão de adultos. No Brasil, representa problema de saúde pública com prevalência estimada em 30-35% da população adulta.

Constitui o principal fator de risco modificável para doenças cardiovasculares, cerebrovasculares e renais. Apesar da disponibilidade de diretrizes baseadas em evidências, as taxas de diagnóstico, tratamento e controle permanecem subótimas na prática clínica.

A transição demográfica e o envelhecimento populacional têm ampliado o número de indivíduos afetados. O manejo adequado reduz significativamente a morbimortalidade cardiovascular.

Definição e Classificação

Definição: Elevação persistente da pressão arterial sistólica ≥ 140 mmHg e/ou diastólica ≥ 90 mmHg, confirmada em pelo menos duas consultas com técnica adequada de aferição.

Classificações Internacionais:

ClassificaçãoPAS (mmHg)PAD (mmHg)Diretriz
Normal< 120< 80EUA/Brasil
PA Elevada120-129< 80EUA
Pré-hipertensão130-13985-89Brasil
HAS Estágio 1140-15990-99Brasil
HAS Estágio 2160-179100-109Brasil
HAS Estágio 3≥ 180≥ 110Brasil

Classificação Europeia 2024 (Simplificada):

  • PA não elevada: ≤ 120/70 mmHg

  • PA elevada: 120-139/70-89 mmHg

  • HAS: ≥ 140/90 mmHg

Terminologia e Sinônimos
  • Hipertensão arterial sistêmica (HAS)

  • Pressão alta (termo popular)

  • Hipertensão essencial (forma primária, 90-95% dos casos)

  • Hipertensão secundária (5-10% dos casos, com causa identificável)

  • Hipertensão sistólica isolada (PAS ≥ 140 mmHg com PAD < 90 mmHg)

  • Hipertensão do jaleco branco (PA elevada apenas no consultório)

  • Hipertensão mascarada (PA normal no consultório, elevada fora dele)

  • Hipertensão resistente (não controlada com 3 drogas, incluindo diurético)

  • Hipertensão refratária (não controlada com 5 ou mais drogas otimizadas)

Fisiopatologia

Mecanismos Fundamentais:

A pressão arterial resulta do produto entre débito cardíaco e resistência vascular periférica. Múltiplos sistemas regulatórios mantêm a homeostase pressórica.

Sistemas Envolvidos:

Sistema Nervoso Simpático

  • Hiperativação simpática

  • Redução tônus parassimpático

  • Aumento frequência cardíaca

  • Vasoconstrição periférica

Sistema Renina-Angiotensina-Aldosterona

  • Vasoconstrição (Angiotensina II)

  • Retenção de sódio e água

  • Hipertrofia vascular

  • Fibrose miocárdica

Disfunção Endotelial

  • Redução de óxido nítrico

  • Inflamação crônica

  • Estresse oxidativo

  • Perda de elasticidade arterial

Fatores Renais

  • Redução de néfrons

  • Retenção de sódio

  • Ativação SRAA

  • Rigidez arterial renal

Fatores Contribuintes:

  • Genética (30-50% da variabilidade)

  • Obesidade e adiposidade visceral

  • Dieta hipersódica

  • Envelhecimento vascular

  • Resistência insulínica

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Etiologia

Hipertensão Primária (Essencial) - 90-95%:

  • Multifatorial: fatores genéticos + ambientais

  • Predisposição familiar

  • Envelhecimento progressivo

  • Estilo de vida inadequado

Hipertensão Secundária - 5-10%:

▶▶ Causas Renais

  • Doença renal crônica

  • Doença renovascular (estenose artéria renal)

  • Glomerulopatias primárias

  • Rim policístico

  • Nefropatia diabética

▶▶ Causas Endócrinas

  • Hiperaldosteronismo primário

  • Síndrome de Cushing

  • Feocromocitoma

  • Hipertireoidismo

  • Hipotireoidismo

  • Acromegalia

  • Hiperparatireoidismo

▶▶ Causas Vasculares

  • Coarctação da aorta

  • Doença vascular renal

▶▶ Fármacos e Substâncias

  • Anti-inflamatórios não esteroidais (AINEs)

  • Anticoncepcionais orais

  • Corticosteroides

  • Antidepressivos (tricíclicos, ISRS)

  • Descongestionantes (pseudoefedrina)

  • Estimulantes e anfetaminas

  • Cocaína

  • Eritropoetina

  • Ciclosporina

▶▶ Outras Causas

  • Apneia obstrutiva do sono

  • Hipertensão gestacional/pré-eclâmpsia

Epidemiologia

Prevalência Global:

  • Mais de 1 bilhão de adultos afetados mundialmente

  • Tendência crescente devido ao envelhecimento populacional

  • Maior prevalência em países de baixa e média renda

Dados Brasileiros:

  • 30-35% da população adulta

  • 65% dos indivíduos acima de 60 anos

  • Maior prevalência em populações de baixa renda

  • Subdiagnóstico e baixo controle (< 50% dos casos tratados)

Distribuição:

  • Aumenta progressivamente com a idade

  • Discretamente mais prevalente em homens jovens

  • Mais comum em mulheres após menopausa

  • Maior prevalência em populações negras

Impacto:

  • Responsável por 45% das mortes cardíacas

  • Causa 51% das mortes cerebrovasculares

  • Principal fator de risco para DAC, AVE, DRC e IC

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Fatores de Risco

⚠️ Fatores de Risco Não Modificáveis:

  • Idade > 60 anos
  • História familiar positiva
  • Etnia (população negra)
  • Redução congênita do número de néfrons
  • Sexo masculino (até menopausa)

Fatores de Risco Modificáveis:

FatorImpactoIntervenção
Obesidade/Sobrepeso70% dos casos de HASRedução ponderal
SedentarismoAumenta risco em 30%150 min/semana exercício
Dieta hipersódica> 5g sal/dia≤ 5g sal/dia
Etilismo excessivo≥ 30g álcool/dia< 30g/dia ou abstinência
Tabagismo↑ PA em 5-10 mmHgCessação completa
Estresse crônicoHiperativação simpáticaTécnicas de relaxamento
DislipidemiaRisco CV adicionalDieta + estatina
Diabetes melitoRisco CV duplicadoControle glicêmico

Critérios de Síndrome Metabólica:

  • Circunferência abdominal aumentada (♂ > 94 cm, ♀ > 80 cm)

  • Hipertensão arterial

  • Hiperglicemia de jejum

  • Triglicerídeos elevados

  • HDL reduzido


TELEMEDICINA

Quando Pode Ser Utilizada

Indicações Apropriadas:

  • Acompanhamento de pacientes com HAS controlada

  • Ajuste de medicações em hipertensos estáveis

  • Revisão de exames laboratoriais

  • Orientação sobre medidas não farmacológicas

  • Reforço de adesão terapêutica

  • Avaliação de efeitos colaterais de medicações

  • Renovação de receituário em pacientes estáveis

Pré-requisitos:

  • Paciente com MRPA ou aparelho confiável em casa

  • Registro adequado das medidas pressóricas domiciliares

  • Ausência de comorbidades descompensadas

  • Boa adesão prévia ao tratamento

Limitações
  • Impossibilidade de exame físico completo

  • Ausência de aferição profissional da PA

  • Dificuldade em avaliar lesões de órgão-alvo

  • Limitação para ajustes complexos de terapia

  • Risco de subdiagnóstico de hipertensão do jaleco branco/mascarada

  • Menor vínculo médico-paciente em primeira consulta

Critérios de Atendimento Presencial

🚨 Encaminhamento Presencial Imediato:

  • PA ≥ 180/120 mmHg com sintomas
  • Suspeita de emergência hipertensiva
  • Sintomas cardiovasculares agudos (angina, dispneia)
  • Sintomas neurológicos (déficit focal, cefaleia intensa)
  • Sinais de insuficiência cardíaca descompensada
  • Angioedema por IECA
  • Primeira consulta para diagnóstico de HAS

Avaliação Presencial Eletiva:

  • Suspeita de hipertensão secundária

  • HAS não controlada após 3 ajustes medicamentosos

  • Necessidade de MAPA/MRPA

  • Investigação de lesão de órgão-alvo

  • Múltiplos efeitos adversos medicamentosos

  • Gestante com PA limítrofe ou elevada


ENCAMINHAMENTO

Critérios para Especialista (Cardiologia/Nefrologia)

Indicações de Encaminhamento:

SituaçãoEspecialidadeUrgência
Hipertensão resistente verdadeiraCardiologiaAlta
Suspeita de hipertensão secundáriaCardiologia/NefrologiaAlta
DRC com TFG < 30 mL/minNefrologiaMédia
Lesão de órgão-alvo graveCardiologiaMédia
HAS em jovem < 30 anosCardiologiaMédia
Necessidade de denervação renalCardiologia intervencionistaEletiva
Critérios para Emergência

🚨 EMERGÊNCIA HIPERTENSIVA - Encaminhar SAMU/PS:

PA ≥ 180/120 mmHg + pelo menos um dos seguintes:

Cardiovascular:

  • Síndrome coronariana aguda
  • Edema agudo de pulmão
  • Dissecção aguda de aorta

Neurológico:

  • AVE isquêmico ou hemorrágico agudo
  • Encefalopatia hipertensiva
  • Cefaleia súbita intensa (suspeita HSA)

Renal:

  • Lesão renal aguda
  • Hematúria macroscópica

Oftalmológico:

  • Retinopatia hipertensiva grau IV (papiledema)
  • Perda visual aguda

Gestacional:

  • Eclâmpsia
  • Pré-eclâmpsia grave (PA ≥ 160/110 mmHg)
Fluxo SUS

Atenção Primária (UBS/ESF):

  • Rastreamento e diagnóstico

  • Tratamento inicial e seguimento

  • Controle de casos não complicados

  • Prescrição de medicamentos disponíveis na RENAME

Atenção Secundária (Ambulatório Especializado):

  • Hipertensão resistente/refratária

  • Investigação de hipertensão secundária

  • Ajustes terapêuticos complexos

  • Avaliação de lesão de órgão-alvo

Atenção Terciária (Hospital):

  • Emergências hipertensivas

  • Hipertensão secundária complexa (feocromocitoma, etc.)

  • Complicações graves (IAM, AVE, dissecção aorta)

  • Procedimentos especializados (denervação renal)


SINAIS E SINTOMAS

Apresentação Clínica

💡 Conceito Fundamental:

A hipertensão arterial é majoritariamente ASSINTOMÁTICA. O diagnóstico é estabelecido por medidas de rotina ou durante investigação de complicações cardiovasculares.

Manifestações Clínicas (quando presentes):

▶▶ Sintomas Inespecíficos

  • Cefaleia (principalmente occipital, matinal)

  • Tonturas e vertigens

  • Zumbido

  • Palpitações

  • Fadiga

  • Visão turva

▶▶ Sintomas de Lesão de Órgão-Alvo

  • Dispneia aos esforços (IC)

  • Dor precordial (DAC)

  • Edema de membros inferiores (IC)

  • Déficit visual (retinopatia)

  • Hematúria (nefropatia)

  • Claudicação intermitente (doença arterial periférica)

▶▶ Manifestações de Emergência Hipertensiva

  • Cefaleia súbita e intensa

  • Confusão mental

  • Déficit neurológico focal

  • Dor torácica intensa

  • Dispneia grave

  • Alteração visual aguda

Anamnese Dirigida

História da Doença Atual:

  • Duração dos sintomas (se presentes)

  • Quando foi a última medida de PA e valores

  • Medidas domiciliares (MRPA informal)

  • Sintomas cardiovasculares

  • Sintomas neurológicos

  • Sintomas renais

Antecedentes Pessoais:

  • Diagnóstico prévio de HAS e tempo de doença

  • Uso de anti-hipertensivos (drogas, doses, adesão)

  • Comorbidades: DM, dislipidemia, DAC, AVE, DRC

  • Internações por causas cardiovasculares

  • Histórico de gestação (pré-eclâmpsia)

História Familiar:

  • HAS em familiares de 1º grau

  • Morte súbita em familiares jovens

  • DAC precoce (♂ < 55 anos, ♀ < 65 anos)

  • AVE em familiares

Hábitos de Vida:

  • Tabagismo (carga tabágica)

  • Etilismo (quantificar g álcool/dia)

  • Atividade física (tipo, frequência, duração)

  • Padrão alimentar (sal, gorduras, processados)

  • Estresse ocupacional/pessoal

  • Qualidade do sono (investigar apneia)

Medicações em Uso:

  • AINEs

  • Anticoncepcionais

  • Corticoides

  • Antidepressivos

  • Descongestionantes nasais

  • Suplementos e fitoterápicos

Investigação de HAS Secundária:

  • Idade de início < 30 ou > 50 anos

  • HAS refratária ao tratamento

  • Piora súbita de controle prévio

  • Crises paroxísticas (feocromocitoma)

  • Roncos e apneias testemunhadas

  • Ganho ponderal + fraqueza muscular (Cushing)

  • Cãibras e fraqueza (hiperaldosteronismo)

Exame Físico Dirigido

Técnica Adequada de Aferição:

📏 Preparo do Paciente:

  • Repouso de 5 minutos, dorso recostado
  • Pernas e braços descruzados
  • Bexiga vazia
  • Evitar nos 30 min anteriores: alimentação, tabagismo, cafeína
  • Evitar nos 60 min anteriores: exercício físico

Técnica:

  • Manguito adequado (circunferência do braço)
  • Braço apoiado na altura do coração
  • Primeira consulta: aferir em ambos os braços
  • Realizar 3 medidas com intervalo de 1-2 minutos
  • Descartar primeira, considerar média das 2 últimas
  • Em idosos/diabéticos: medir deitado e em pé (hipotensão postural)

Exame Físico Geral:

  • Antropometria:

  • Peso, altura, IMC

  • Circunferência abdominal (♂ > 94 cm, ♀ > 80 cm)

  • Relação cintura/quadril

  • Inspeção Geral:

  • Fácies cushingóide

  • Sinais de acromegalia

  • Sinais de tireoidopatia

  • Distribuição anormal de gordura

  • Palpação de Pulsos:

  • Radiais (simetria, amplitude)

  • Carotídeos (frêmitos, amplitude)

  • Femorais (simetria - coarctação de aorta)

  • Pedioso e tibial posterior (DAP)

  • Ausculta Cardíaca:

  • Ritmo (FA)

  • Sopros (estenose aórtica, insuficiências)

  • B3 ou B4 (IC, HVE)

  • Ictus desviado (cardiomegalia)

  • Ausculta Pulmonar:

  • Estertores (IC)

  • Roncos (apneia do sono)

  • Abdome:

  • Sopros abdominais (estenose renal)

  • Massas palpáveis (rim policístico)

  • Pulsação abdominal aumentada (aneurisma)

  • Extremidades:

  • Edema (IC, nefropatia)

  • Temperatura e coloração (DAP)

  • Fundoscopia (quando disponível):

  • Retinopatia hipertensiva (cruzamento AV, exsudatos, papiledema)

Testes Especiais

Pesquisa de Hipotensão Postural:

  • Medir PA em decúbito após 5 min repouso

  • Paciente levanta e medir imediatamente

  • Medir novamente após 3 minutos em pé

  • Positivo: Queda ≥ 20 mmHg PAS ou ≥ 10 mmHg PAD

  • Indicações: Idosos, diabéticos, disautonomia

Índice Tornozelo-Braquial (ITB):

  • PA sistólica tornozelo / PA sistólica braquial

  • Normal: 0,9 - 1,3

  • < 0,9: Doença arterial periférica

  • > 1,3: Calcificação arterial (diabetes)

Quadro Clínico Típico e Atípico
CaracterísticaQuadro TípicoQuadro Atípico (Investigar)
Idade> 40 anos< 30 anos ou início súbito > 50 anos
SintomasAssintomáticoCrises paroxísticas, cefaleia intensa
História familiarPositivaNegativa em jovem hipertenso
Resposta ao tratamentoBoa respostaResistência a múltiplas drogas
Exame físicoSem alterações específicasSopros, assimetria de pulsos, fácies
LaboratórioFunção renal normalHipocalemia espontânea, DRC

CLASSIFICAÇÃO DE GRAVIDADE

Estratificação de Risco

⚖️ A gravidade da hipertensão é determinada não apenas pelos valores de PA, mas principalmente pela presença de:

  • Fatores de risco cardiovascular adicionais
  • Lesões de órgãos-alvo (clínicas ou subclínicas)
  • Doenças cardiovasculares estabelecidas
CategoriaPAS/PADFatores de RiscoLOA/DCVRisco CV
Normal< 130/80AusentesNãoBaixo
PA Elevada130-139/80-89PresentesNãoModerado
HAS Estágio 1140-159/90-99PresentesNãoModerado
HAS Estágio 1140-159/90-99Múltiplos ou DMSimAlto
HAS Estágio 2160-179/100-109QuaisquerQuaisquerAlto
HAS Estágio 3≥ 180/110QuaisquerQuaisquerMuito Alto
Fatores de Risco Adicionais
  • Idade (♂ ≥ 55 anos, ♀ ≥ 65 anos)

  • Tabagismo atual

  • Dislipidemia

  • Diabetes melito

  • Obesidade (IMC ≥ 30)

  • História familiar de DCV precoce

Lesões de Órgão-Alvo (LOA)
  • HVE no ECG/ecocardiograma

  • Microalbuminúria/proteinúria

  • TFG < 60 mL/min

  • Espessamento íntima-média carotídea > 0,9 mm

  • VOP carotídeo-femoral > 10 m/s

  • ITB < 0,9

Doenças Cardiovasculares Estabelecidas
  • Doença arterial coronariana

  • Insuficiência cardíaca

  • AVE/AIT prévio

  • Doença arterial periférica

  • Fibrilação atrial


ABORDAGEM DIAGNÓSTICA

Critérios Diagnósticos

Diagnóstico de Hipertensão Arterial:

Medida de Consultório:

  • PA ≥ 140/90 mmHg em pelo menos 2 consultas diferentes
  • Técnica adequada de aferição
  • Exceção: HAS estágio 3 (≥ 180/110 mmHg) → diagnóstico na 1ª consulta

MAPA (Monitorização Ambulatorial):

  • Média 24h: ≥ 130/80 mmHg
  • Média vigília: ≥ 135/85 mmHg
  • Média sono: ≥ 120/70 mmHg

MRPA (Monitorização Residencial):

  • Média ≥ 130/80 mmHg
  • 5 dias consecutivos
  • 3 medidas manhã + 3 medidas tarde

Condições Especiais:

CondiçãoDefiniçãoPrevalência
HAS do Jaleco BrancoPA elevada no consultório, normal na MAPA/MRPA~18%
HAS MascaradaPA normal no consultório, elevada na MAPA/MRPA~8%
HAS ResistenteNão controlada com 3 drogas (incluindo diurético)~10%
HAS RefratáriaNão controlada com ≥ 5 drogas otimizadas~1-2%
Investigação Complementar Inicial

Exames Obrigatórios para Todos:

ExameObjetivoPeriodicidade
Creatinina + TFGAvaliar função renalAnual
Potássio séricoInvestigar hiperaldosteronismoAnual
Glicemia jejum + HbA1cRastrear diabetesAnual
Perfil lipídico completoEstratificar risco CVAnual
Ácido úricoMarcador de risco CVAnual
EAS (urina tipo 1)Avaliar proteinúria/hematúriaAnual
MicroalbuminúriaLOA renal precoceAnual
TSHAvaliar função tireoidianaInicial
ECG 12 derivaçõesAvaliar HVE, isquemia, arritmiasAnual

Exames Complementares Selecionados:

  • Ecocardiograma: HVE no ECG, suspeita de IC, alto risco CV

  • US carótidas: Sopro carotídeo, AVE prévio, DAP conhecida

  • Fundoscopia: HAS estágio 2-3, diabetes, longa data

  • VOP (velocidade onda pulso): Baixo/médio risco para reclassificação

  • Índice tornozelo-braquial: Claudicação, DAP suspeita

Diagnóstico Diferencial
CondiçãoPistas ClínicasExame Específico
HAS EssencialAdulto, história familiar, múltiplos FRExclusão de causas secundárias
Hiperaldosteronismo 1ºHipocalemia espontânea, HAS resistenteAldosterona/renina, TC adrenal
Doença RenovascularSopro abdominal, assimetria renal, ↓ TFG com IECADoppler renal, angioTC
Doença Renal CrônicaProteinúria, hematúria, TFG reduzidaUS renal, proteinúria 24h
FeocromocitomaTríade: cefaleia, sudorese, palpitações. CrisesMetanefrinas urinárias/plasma
Síndrome de CushingFácies em lua cheia, estrias, obesidade centralCortisol livre urinário, teste supressão
Apneia do SonoRoncos, sonolência diurna, obesidadePolissonografia
Coarctação de AortaJovem, assimetria pulsos MMSS/MMIIEcocardiograma, angioTC
HipertireoidismoTaquicardia, perda peso, PAS isolada ↑TSH, T4 livre
Medicamentos/DrogasUso de AINEs, ACO, corticoides, cocaínaHistória medicamentosa
HAS do Jaleco BrancoPA alta no consultório, normal em casaMAPA/MRPA

🔍 Quando Suspeitar de HAS Secundária:

  • Idade < 30 anos ou início súbito > 50 anos
  • HAS resistente verdadeira (após afastar má adesão e pseudo-resistência)
  • Piora súbita de PA previamente controlada
  • HAS estágio 2-3 sem fatores de risco óbvios
  • Hipocalemia espontânea (K < 3,5 sem diurético)
  • Proteinúria ou hematúria significativas
  • Sopro abdominal ou massas palpáveis
  • Assimetria de pulsos ou pressão entre membros
  • Crises paroxísticas (tríade de feocromocitoma)

PROGNÓSTICO

Impacto da Hipertensão não Tratada

📊 Impacto da Hipertensão não Tratada:

  • Redução de 5-7 anos na expectativa de vida
  • Risco 3-4x maior de AVE
  • Risco 2-3x maior de IAM
  • Risco 6x maior de IC
  • Principal causa de DRC terminal
Fatores de Bom Prognóstico
  • Diagnóstico precoce (< 50 anos)

  • Ausência de lesão de órgão-alvo

  • Bom controle pressórico (meta < 140/90 mmHg)

  • Boa adesão ao tratamento

  • Ausência de comorbidades (DM, dislipidemia)

  • Hábitos de vida saudáveis

Fatores de Mau Prognóstico
  • HAS estágio 3 (≥ 180/110 mmHg)

  • Lesão de órgão-alvo estabelecida

  • Diabetes melito associado

  • Doença cardiovascular estabelecida

  • HAS resistente/refratária

  • Múltiplos fatores de risco cardiovascular

  • Má adesão ao tratamento

Benefícios do Tratamento Adequado
DesfechoRedução de Risco
AVE35-40%
IAM20-25%
Insuficiência cardíaca50%
Mortalidade cardiovascular25-30%
Progressão de DRC30-40%

ACOMPANHAMENTO

Periodicidade das Consultas
SituaçãoIntervalo
Diagnóstico recente, ajuste medicamentosoMensal até controle
HAS não controladaQuinzenal a mensal
HAS controlada, sem comorbidadesSemestral
HAS controlada com comorbidadesTrimestral
HAS resistenteMensal (com especialista)
Metas Pressóricas

🎯 Metas Terapêuticas de PA:

Por Risco Cardiovascular:

  • Baixo/moderado: < 140/90 mmHg
  • Alto risco: 120-129/70-79 mmHg

Por Comorbidade:

  • Diabetes melito: 120-129/70-79 mmHg
  • DRC, DAC, IC, AVE prévio: < 130/80 mmHg
  • Na DAC: manter PAD 70-79 mmHg

Por Faixa Etária:

  • Adultos < 65 anos: < 130/80 mmHg (idealmente < 120-129/70-79)
  • Idosos hígidos (65-80 anos): 130-139/70-79 mmHg
  • Idosos frágeis (> 80 anos): 140-149/70-79 mmHg
Monitoramento

A cada consulta:

  • Aferição de PA (técnica adequada)

  • Verificação de adesão medicamentosa

  • Investigação de efeitos adversos

  • Reforço de medidas não farmacológicas

  • Avaliação de sintomas de LOA

Anualmente:

  • Creatinina e TFG

  • Potássio

  • Glicemia e HbA1c

  • Perfil lipídico

  • Ácido úrico

  • EAS e microalbuminúria

  • ECG

  • Fundoscopia (se disponível)

  • Peso, IMC, circunferência abdominal

Conforme indicação:

  • Ecocardiograma (a cada 2-3 anos se alterado)

  • MAPA/MRPA (controle inadequado, suspeita jaleco branco)

  • US carotídea (se alto risco)


COMPLICAÇÕES

Complicações Crônicas

Cardiovasculares:

  • Hipertrofia ventricular esquerda

  • Insuficiência cardíaca

  • Doença arterial coronariana

  • Infarto agudo do miocárdio

  • Fibrilação atrial

  • Dissecção de aorta

  • Aneurisma de aorta

Cerebrovasculares:

  • AVE isquêmico

  • AVE hemorrágico

  • Ataque isquêmico transitório

  • Encefalopatia hipertensiva

  • Demência vascular

  • Hemorragia subaracnóidea

Renais:

  • Nefrosclerose hipertensiva

  • Doença renal crônica

  • Lesão renal aguda (crise hipertensiva)

  • Proteinúria

  • DRC terminal (diálise)

Oftalmológicas:

  • Retinopatia hipertensiva

  • Hemorragias retinianas

  • Exsudatos algodonosos

  • Papiledema

  • Perda visual

Vasculares Periféricas:

  • Doença arterial periférica

  • Claudicação intermitente

  • Isquemia crítica de membros

Complicações Agudas (Emergências)

🚨 Complicações Agudas (Emergências):

  • Síndrome coronariana aguda
  • Edema agudo de pulmão
  • Dissecção aguda de aorta
  • AVE (isquêmico ou hemorrágico)
  • Encefalopatia hipertensiva
  • Lesão renal aguda
  • Eclâmpsia

ABORDAGEM TERAPÊUTICA

Passo a Passo Clínico

ETAPA 1 - Confirmação Diagnóstica:

  1. Confirmar diagnóstico (múltiplas medidas, MAPA/MRPA se necessário)

  2. Classificar estágio da HAS

  3. Estratificar risco cardiovascular

  4. Investigar causas secundárias (se indicado)

ETAPA 2 - Avaliação Inicial:

  1. Solicitar exames complementares básicos

  2. Avaliar lesões de órgão-alvo

  3. Identificar comorbidades

  4. Calcular risco cardiovascular (escore SCORE2 ou similar)

ETAPA 3 - Decisão Terapêutica:

  • HAS estágio 1 + baixo risco: Medidas não farmacológicas por 3 meses

  • HAS estágio 1 + risco moderado/alto: Início imediato de tratamento

  • HAS estágio ≥ 2: Início imediato de terapia combinada

ETAPA 4 - Início do Tratamento:

  1. Orientar medidas não farmacológicas (todos os pacientes)

  2. Iniciar monoterapia (idosos frágeis, ≥ 85 anos) ou terapia dupla (demais)

  3. Preferir combinações fixas (melhor adesão)

  4. Escolher classes conforme perfil (ver seção Guia de Prescrição)

ETAPA 5 - Monitoramento e Ajustes:

  1. Reavaliação em 4-8 semanas

  2. Se meta não atingida: aumentar dose ou adicionar 3ª droga

  3. Se meta não atingida com 3 drogas: adicionar 4ª (Espironolactona)

  4. HAS resistente: encaminhar ao especialista

Medidas Não Farmacológicas

🥗 Mudanças de Estilo de Vida - FUNDAMENTAIS para todos os hipertensos

1. Controle de Peso:

  • Meta: IMC 18,5-24,9 kg/m² (20-27 kg/m² em idosos)

  • Circunferência abdominal: < 90 cm (♂), < 80 cm (♀)

  • Redução de 1 kg = redução ~1 mmHg na PA

2. Padrão Alimentar Saudável:

  • Dieta DASH ou Mediterrânea:

  • Rica em: frutas, verduras, cereais integrais, castanhas

  • Pobre em: carnes vermelhas, gorduras saturadas, processados

  • Redução esperada: 8-14 mmHg

3. Restrição de Sódio:

  • Meta: ≤ 5g sal/dia (2g sódio/dia)

  • Redução esperada: 5-6 mmHg

  • Evitar: industrializados, embutidos, temperos prontos

4. Aumentar Potássio:

  • Meta: 3,5-5g/dia (se função renal normal)

  • Fontes: banana, abacate, folhas verdes, leguminosas, damasco

5. Atividade Física:

  • Aeróbico: 150 min/semana moderado ou 75 min intenso

  • Resistido: 2-3x/semana (complementar)

  • Redução esperada: 5-8 mmHg

  • Contraindicação relativa: PA > 160/105 mmHg (ajustar medicação antes)

6. Cessação do Tabagismo:

  • Fundamental para redução de risco CV

  • Tabagismo ativo aumenta PA em 5-10 mmHg

7. Redução do Consumo de Álcool:

  • Homens: < 30g álcool/dia (< 2 doses)

  • Mulheres e idosos: < 15g/dia (< 1 dose)

  • 1 dose = 350 mL cerveja ou 150 mL vinho ou 45 mL destilado

8. Manejo do Estresse:

  • Técnicas de relaxamento

  • Meditação mindfulness

  • Respiração lenta (6-10 resp/min, 15-20 min/dia)

  • Redução esperada: 4-5 mmHg

9. Sono Adequado:

  • Investigar e tratar apneia do sono

  • Higiene do sono

  • 7-8 horas/noite

10. Café e Cafeína:

  • Moderação: < 200 mg cafeína/dia (< 3 xícaras café)

  • Polifenóis do café podem ter efeito benéfico

11. Cacau/Chocolate:

  • Chocolate amargo (> 70% cacau): pode reduzir PA

  • Evitar excesso de açúcar

Tratamento Farmacológico - Estratégia

💊 Princípios do Tratamento:

✅ Iniciar terapia combinada (2 drogas) na maioria dos casos

✅ Preferir associações fixas (1 comprimido)

✅ Classes de 1ª linha: IECA/BRA + BCC ou Tiazídico

✅ Titular dose ou adicionar 3ª droga se meta não atingida

✅ 4ª droga: Espironolactona

Algoritmo de Tratamento:

1ª Linha - Terapia Dupla Inicial:

Opção 1 (Preferencial):

IECA ou BRA

BCC di-hidropiridínico

Indicações:

  • Alto risco CV

  • Não obesos

  • Brancos

Opção 2:

IECA ou BRA

Tiazídico ou Tiazídico-símile

Indicações:

  • Idosos

  • Negros

  • Obesos

2ª Linha - Terapia Tripla:

IECA/BRA + BCC + Tiazídico

3ª Linha - Quarta Droga:

Adicionar Espironolactona 25-50 mg/dia

4ª Linha - HAS Resistente:

  • Adicionar: Betabloqueador, Clonidina, Doxazosina, Hidralazina

  • Encaminhar ao especialista

  • Considerar denervação renal (centros especializados)

hipertensao_arterial_ambulatorio.png

Metas Terapêuticas

Objetivos Principais:

  1. Atingir meta pressórica conforme perfil do paciente

  2. Prevenir lesão de órgão-alvo

  3. Reduzir morbimortalidade cardiovascular

  4. Melhorar qualidade de vida

Metas de PA - Resumo:

PerfilMeta PASMeta PAD
Adulto risco baixo/moderado< 140< 90
Adulto alto risco120-12970-79
Diabetes melito120-12970-79
DRC / DAC / AVE prévio< 130< 80
Idoso hígido (65-80 anos)130-13970-79
Idoso frágil (> 80 anos)140-14970-79

Metas Adicionais:

  • Cessação tabagismo

  • LDL < 100 mg/dL (< 70 se alto risco)

  • HbA1c < 7% (se diabético)

  • IMC < 25 kg/m²

  • Atividade física regular


PROFILAXIA / PREVENÇÃO

Prevenção Primária (Evitar o desenvolvimento de HAS)
IntervençãoRedução de Risco
Manutenção de peso saudável50-70%
Atividade física regular30-50%
Dieta DASH/Mediterrânea40-60%
Restrição de sódio20-30%
Consumo moderado de álcool20-30%
Não fumarReduz risco CV global
Prevenção Secundária (Evitar complicações)
  • Tratamento adequado da HAS

  • Controle rigoroso de comorbidades (DM, dislipidemia)

  • Uso de AAS em prevenção CV (se indicado)

  • Estatina conforme risco cardiovascular

  • Rastreamento de lesão de órgão-alvo

Prevenção Terciária (Evitar novos eventos)
  • Após IAM, AVE: controle rigoroso da PA

  • Uso de betabloqueador pós-IAM

  • IECA/BRA em IC ou FE reduzida

  • Antiagregação/anticoagulação conforme indicação


GUIA DE PRESCRIÇÃO

Conduta SUS - Primeira Linha

🇧🇷 Medicamentos Disponíveis no SUS (RENAME):

  • Hidroclorotiazida
  • Captopril
  • Enalapril
  • Losartana
  • Anlodipino
  • Propranolol
  • Atenolol
  • Metildopa (gestantes)

ESQUEMAS INICIAIS RECOMENDADOS:

▶▶ Esquema 1 - Preferencial:

Enalapril 5-20 mg 12/12h

Anlodipino 5-10 mg 1x/dia

Indicações: Primeira escolha para a maioria dos pacientes

Vantagens: Proteção renal, boa tolerabilidade, disponível SUS

▶▶ Esquema 2 - Alternativo:

Losartana 50-100 mg 1-2x/dia

Hidroclorotiazida 25 mg 1x/dia

Indicações: Idosos, negros, obesos

Vantagens: Menor custo, boa eficácia, disponível SUS

▶▶ Esquema 3 - Para Obesos/Negros:

Anlodipino 5-10 mg 1x/dia

Hidroclorotiazida 25 mg 1x/dia

Indicações: População negra, obesidade

TERCEIRA DROGA (se necessário):

Associar a classe que falta:

  • Se IECA + BCC → adicionar Hidroclorotiazida 25 mg/dia
  • Se IECA + Tiazídico → adicionar Anlodipino 5-10 mg/dia
  • Se BRA + BCC → adicionar Hidroclorotiazida 25 mg/dia

QUARTA DROGA:

  • Espironolactona 25-50 mg/dia (não disponível em todas UBS)

  • Alternativa: Propranolol 40-80 mg 12/12h ou Atenolol 50-100 mg/dia

Classes Farmacológicas - Detalhamento

CLASSE A - Diuréticos Tiazídicos:

MedicamentoDose InicialDose MáximaSUS
Hidroclorotiazida25 mg 1x/dia50 mg/dia
Clortalidona12,5 mg 1x/dia25 mg/dia
Indapamida1,5 mg 1x/dia2,5 mg/dia

Efeitos adversos: Hipocalemia, hiponatremia, hiperuricemia, disfunção erétil

Contraindicações: Gota aguda

Monitorização: Potássio, creatinina, ácido úrico


CLASSE B - Bloqueadores de Canais de Cálcio (BCC):

MedicamentoDose InicialDose MáximaSUS
Anlodipino5 mg 1x/dia10 mg/dia
Nifedipino retard20 mg 12/12h60 mg/dia
Lercanidipino10 mg 1x/dia20 mg/dia

Efeitos adversos: Edema maleolar, cefaleia, rubor facial

Contraindicações relativas: IC descompensada (evitar)

Vantagens: Boa tolerabilidade, sem efeitos metabólicos


CLASSE C - IECA (Inibidores da ECA):

MedicamentoDose InicialDose MáximaSUS
Enalapril5 mg 12/12h20 mg 12/12h
Captopril25 mg 8/8h50 mg 8/8h
Ramipril2,5 mg 1x/dia10 mg/dia

Indicações especiais: IC, pós-IAM, diabetes com proteinúria, DRC

Efeitos adversos: Tosse seca (10-15%), hipercalemia, angioedema (raro)

Contraindicações: Gestação, estenose renal bilateral, angioedema prévio

Monitorização: Creatinina e potássio (7-10 dias após início)


CLASSE D - BRA (Bloqueadores do Receptor AT1):

MedicamentoDose InicialDose MáximaSUS
Losartana50 mg 1x/dia100 mg 1-2x/dia
Valsartana80 mg 1x/dia320 mg/dia
Telmisartana40 mg 1x/dia80 mg/dia

Indicações: Mesmas do IECA, alternativa quando há tosse

Efeitos adversos: Hipercalemia (menos tosse que IECA)

Contraindicações: Gestação, estenose renal bilateral

⚠️ Não associar IECA + BRA


CLASSE E - Antagonistas de Aldosterona:

MedicamentoDose InicialDose MáximaIndicação
Espironolactona25 mg 1x/dia50 mg/diaHAS resistente (4ª droga)

Efeitos adversos: Hipercalemia, ginecomastia (homens)

Contraindicações: TFG < 30, K > 5,0 mEq/L

Monitorização: Potássio e creatinina rigorosos


CLASSE F - Betabloqueadores:

MedicamentoDose InicialDose MáximaSUS
Propranolol40 mg 12/12h160 mg 12/12h
Atenolol25 mg 1x/dia100 mg/dia
Carvedilol6,25 mg 12/12h25 mg 12/12h

Indicações preferenciais: Pós-IAM, IC, taquiarritmias, DAC

NÃO são primeira linha para HAS isolada

Efeitos adversos: Bradicardia, fadiga, broncoespasmo

Contraindicações: DPOC grave, BAV 2º/3º grau, asma

Situações Especiais de Prescrição

Paciente com Diabetes:

  • Preferir IECA ou BRA (proteção renal)

  • Meta: 120-129/70-79 mmHg

  • Monitorizar função renal e potássio

Paciente com DRC:

  • Preferir IECA ou BRA (reduz proteinúria)

  • Se TFG < 30: evitar Espironolactona

  • Ajustar dose de IECA/BRA conforme TFG

Paciente Pós-IAM:

  • Betabloqueador obrigatório

  • IECA preferencial

  • Meta: < 130/80 mmHg

Paciente com IC:

  • IECA/BRA + Betabloqueador + Espironolactona

  • Evitar BCC não di-hidropiridínicos

  • Diurético de alça se congestão

Idoso Frágil:

  • Iniciar com monoterapia

  • Titular lentamente

  • Meta menos rigorosa: 140-149/70-79 mmHg

  • Atenção à hipotensão postural

Gestante:

  • Metildopa 250-500 mg 8/8h (1ª escolha)

  • Alternativas: Anlodipino, Pindolol

  • Contraindicado: IECA, BRA, Espironolactona

Paciente Negro:

  • Melhor resposta: BCC + Tiazídico
  • IECA/BRA menos eficaz em monoterapia

HAS + Gota:

  • Evitar tiazídicos (1ª escolha: IECA + BCC)

  • Losartana tem discreto efeito uricosúrico

Combinações Fixas Disponíveis
CombinaçãoDoses DisponíveisSUS
Losartana + Hidroclorotiazida50/12,5 mg ou 100/25 mgAlgumas UBS
Enalapril + Hidroclorotiazida20/12,5 mgRaro
Anlodipino + Losartana5/50 mg
Tripla (IECA + BCC + Tiazídico)Várias

EXAMES COMPLEMENTARES

Exames Indicados (Rotina)

Avaliação Inicial - Todos os Pacientes:

ExameObjetivoValores de Referência
Creatinina séricaAvaliar função renal0,7-1,2 mg/dL
TFG estimadaQuantificar função renal> 60 mL/min
PotássioInvestigar hiperaldosteronismo3,5-5,0 mEq/L
Glicemia jejumRastrear diabetes< 100 mg/dL
HbA1cAvaliar controle glicêmico< 5,7%
Colesterol totalRisco cardiovascular< 200 mg/dL
LDLAlvo terapêutico< 100 mg/dL
HDLFator protetor> 40 mg/dL (♂), > 50 (♀)
TriglicerídeosRisco cardiovascular< 150 mg/dL
Ácido úricoMarcador risco CV< 7 mg/dL (♂), < 6 (♀)
EAS (urina tipo 1)Proteinúria, hematúriaNegativo
MicroalbuminúriaLOA renal precoce< 30 mg/g creatinina
TSHFunção tireoidiana0,4-4,0 mUI/L
ECG 12 derivaçõesHVE, isquemia, arritmias-
Resultados Esperados e Interpretação

Creatinina e TFG:

  • TFG < 60 mL/min → DRC estágio 3 (LOA renal)

  • ↑ creatinina > 30% após IECA/BRA → investigar estenose renal bilateral

Potássio:

  • K < 3,5 sem diurético → suspeitar hiperaldosteronismo primário

  • K > 5,5 → ajustar IECA/BRA/Espironolactona

Microalbuminúria:

  • 30-300 mg/g → LOA renal subclínica (↑ risco CV)

300 mg/g → LOA renal clínica (nefropatia estabelecida)

ECG:

  • HVE (Sokolow-Lyon: SV1 + RV5/V6 > 35 mm)

  • Ondas T invertidas → isquemia

  • FA → anticoagulação

Glicemia/HbA1c:

  • Jejum 100-125 mg/dL → pré-diabetes

  • Jejum ≥ 126 mg/dL → diabetes

  • HbA1c 5,7-6,4% → pré-diabetes

  • HbA1c ≥ 6,5% → diabetes

Exames Especializados (Indicações Selecionadas)

MAPA:

  • Confirmar diagnóstico de HAS

  • Suspeita de jaleco branco ou mascarada

  • HAS resistente

  • Sintomas de hipotensão

Ecocardiograma:

  • HVE no ECG

  • Suspeita de IC

  • Sopros cardíacos

  • Alto risco cardiovascular

Ultrassom de Carótidas:

  • Sopro carotídeo

  • AVE/AIT prévio

  • DAP conhecida

  • Alto risco CV (reclassificação)

VOP (Velocidade Onda Pulso):

  • Baixo/médio risco (reclassificação)

  • Valores > 10 m/s indicam rigidez arterial

Investigação de HAS Secundária:

  • Aldosterona/Renina plasmática (hiperaldosteronismo)

  • Doppler renal (estenose artéria renal)

  • Metanefrinas urinárias/plasmáticas (feocromocitoma)

  • Cortisol livre urinário (Cushing)

  • Polissonografia (apneia do sono)


DOENÇAS RELACIONADAS

Condições Associadas e Complicações

Associações Frequentes:

  • Diabetes melito tipo 2

  • Dislipidemia

  • Síndrome metabólica

  • Obesidade

  • Doença renal crônica

  • Insuficiência cardíaca

  • Fibrilação atrial

Complicações:

  • Doença arterial coronariana

  • Infarto agudo do miocárdio

  • AVE isquêmico/hemorrágico

  • Retinopatia hipertensiva

  • Nefropatia hipertensiva

  • Doença arterial periférica

  • Demência vascular


SCORES, ESCALAS E CALCULADORAS

SCORE2 (Risco Cardiovascular 10 anos - Europeu)
  • Variáveis: idade, sexo, PA sistólica, colesterol total, HDL, tabagismo, região

  • Categorias: baixo (< 5%), moderado (5-10%), alto (> 10%)

  • Ferramenta europeia validada para estratificação de risco

Escore de Risco Global (Framingham)
  • Variáveis: idade, sexo, PA, colesterol total, HDL, DM, tabagismo

  • Estima risco de evento CV em 10 anos

  • Amplamente utilizado na prática clínica brasileira

Calculadora de TFG (CKD-EPI)
  • Variáveis: creatinina, idade, sexo, raça

  • Estima filtração glomerular

  • Melhor preditor de função renal que creatinina isolada

Índice de Massa Corporal (IMC)
  • Fórmula: Peso(kg) / Altura(m)²

  • Normal: 18,5-24,9 kg/m²

  • Sobrepeso: 25-29,9 kg/m²

  • Obesidade: ≥ 30 kg/m²

Relação Cintura-Quadril
  • Fórmula: Cintura / Quadril

  • Risco aumentado: ♂ > 0,9, ♀ > 0,85

  • Marcador de adiposidade visceral e risco CV


ATLAS CLÍNICO

Retinopatia Hipertensiva
  • Grau I: Estreitamento arteriolar

  • Grau II: Cruzamento arteriovenoso patológico

  • Grau III: Hemorragias e exsudatos algodonosos

  • Grau IV: Papiledema (emergência hipertensiva!)

  • Fundoscopia essencial em HAS estágio 2-3

Alterações Cardiovasculares
  • Hipertrofia ventricular esquerda (ecocardiograma)

  • Cardiomegalia (Raio-X tórax)

  • Estenose aórtica calcificada

  • Dilatação do átrio esquerdo

Imagens Educacionais

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FLUXOGRAMA DE MANEJO

Algoritmo Completo de Manejo da HAS

📋 Algoritmo Simplificado de Manejo:

1. CONFIRMAÇÃO DIAGNÓSTICA

PA ≥ 140/90 em 2+ consultas OU MAPA/MRPA ≥ 130/80

2. ESTRATIFICAÇÃO

  • Classificar estágio (1, 2, 3)

  • Calcular risco cardiovascular

  • Investigar LOA e comorbidades

3. DECISÃO TERAPÊUTICA

├─ Grau 1 + Baixo Risco → Mudanças estilo vida 3 meses

├─ Grau 1 + Risco Mod/Alto → MEV + Terapia dupla

└─ Grau 2-3 → MEV + Terapia dupla imediata

4. ESCOLHA MEDICAMENTOSA

IECA ou BRA + BCC ou Tiazídico

(Preferir combinação fixa)

5. SEGUIMENTO 4-8 SEMANAS

├─ Meta atingida → Seguimento semestral/anual

└─ Meta não atingida → Aumentar dose ou adicionar 3ª droga

Terapia tripla: IECA/BRA + BCC + Tiazídico

├─ Controlado → Manter

└─ Não controlado → Adicionar Espironolactona

HAS RESISTENTE → Encaminhar especialista

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INFOGRÁFICO RESUMO

Pontos-Chave da Hipertensão Arterial

📌 HIPERTENSÃO ARTERIAL - PONTOS-CHAVE

📏 Diagnóstico:

  • PA ≥ 140/90 mmHg (2+ consultas)
  • MAPA ≥ 130/80 mmHg

🎯 Metas:

  • Adultos: < 140/90 mmHg
  • Alto risco: 120-129/70-79 mmHg
  • Idosos: 130-139/70-79 mmHg

💊 Tratamento 1ª Linha:

  • IECA/BRA + BCC ou Tiazídico
  • Sempre associar MEV

🚨 Red Flags:

  • PA ≥ 180/120 + sintomas
  • Dor torácica, dispneia, déficit neurológico
  • → Emergência!

🔍 Investigar Secundária Se:

  • < 30 anos ou início súbito > 50 anos
  • HAS resistente verdadeira
  • Hipocalemia espontânea

📊 Exames Básicos:

  • Creatinina, K, glicemia, lipídios
  • EAS, microalbuminúria
  • ECG

🥗 Medidas Não Farmacológicas:

  • ↓ Peso (meta IMC < 25)
  • ↓ Sal (< 5g/dia)
  • Exercício (150 min/sem)
  • DASH ou Mediterrânea
  • Parar de fumar
  • ↓ Álcool

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Diretrizes e Estudos Principais (2020-2024)
  1. McEvoy JW, McCarthy CP, Bruno RM, et al. 2024 ESC Guidelines for the management of elevated blood pressure and hypertension. Eur Heart J. 2024; 45(38):3912-4018.
  1. Barroso WK, Rodrigues CI, Bortolotto LA, et al. Diretrizes Brasileiras de Hipertensão Arterial – 2020. Arq Bras Cardiol. 2021; 116(3):516-658.

  2. Feitosa AD, Barroso WK, Mion Junior D, et al. Diretrizes Brasileiras de Medidas da Pressão Arterial Dentro e Fora do Consultório – 2023. Arq Bras Cardiol. 2024; 121(4):20240113.

  3. Stergiou GS, Palatini P, Parati G, et al. 2021 European Society of Hypertension practice guidelines for office and out-of-office blood pressure measurement. J Hypertens. 2021; 39(7):1293-1302.

  4. Unger T, Borghi C, Charchar F, et al. 2020 International Society of Hypertension global hypertension practice guidelines. J Hypertens. 2020; 38(6):982-1004.

  5. US Preventive Services Task Force; Krist AH, Davidson KW, et al. Screening for hypertension in adults: US preventive services task force reaffirmation recommendation statement. JAMA. 2021; 325(16):1650-1656.

  6. Gupta DK, Lewis CE, Varady KA, et al. Effect of Dietary Sodium on Blood Pressure: A Crossover Trial. JAMA. 2023; 330(23):2258-2266.

  7. Sundström J, Lind L, Nowrouzi S, et al. Heterogeneity in Blood Pressure Response to 4 Antihypertensive Drugs: A Randomized Clinical Trial. JAMA. 2023; 329(14):1160-1169.

  8. Matsushita K, Kaptoge S, Hageman SHJ, et al. Including measures of chronic kidney disease to improve cardiovascular risk prediction by SCORE2 and SCORE2-OP. Eur J Prev Cardiol. 2023; 30(1):8-16.

  9. Parati G, Goncalves A, Soergel D, et al. New perspectives for hypertension management: progress in methodological and technological developments. Eur J Prev Cardiol. 2023; 30(1):48-60.


LINKS DIRETOS PARA DIRETRIZES

Diretrizes Brasileiras
  • [Diretriz Brasileira de Hipertensão 2020 - SBC]
Diretrizes Internacionais
  • [ESC Guidelines 2024 - European Society of Cardiology]
Dicas para a Prática Clínica

💡 DICAS PARA A PRÁTICA CLÍNICA:

1. Aferição de PA:

  • Sempre use técnica adequada (repouso 5 min, manguito correto)
  • Confirme com MAPA/MRPA antes de iniciar tratamento
  • Suspeite de jaleco branco se PA consultório >> PA casa

2. Escolha da Terapia:

  • Inicie com 2 drogas na maioria dos casos
  • Prefira combinações fixas (↑ adesão)
  • SUS: Enalapril + Anlodipino é excelente primeira escolha

3. Metas:

  • Seja realista com idosos frágeis
  • Diabetes e DRC: metas mais rigorosas
  • Evite redução excessiva (hipoperfusão)

4. Seguimento:

  • Consultas mensais até controle
  • Depois, semestrais/anuais
  • Sempre checar adesão e efeitos adversos

5. Red Flags:

  • Tosse com IECA → trocar para BRA
  • Hipocalemia espontânea → investigar hiperaldosteronismo
  • Angioedema com IECA → contraindicação absoluta
  • HAS em jovem < 30 anos → investigar secundária

ORIENTAÇÕES AO PACIENTE

O Que é Hipertensão e Como Tratar

💬 O QUE É HIPERTENSÃO (PRESSÃO ALTA)?

É uma doença crônica em que a pressão do sangue nas artérias fica constantemente elevada. A maioria das pessoas não sente nada, mas a pressão alta silenciosamente danifica coração, cérebro, rins e vasos sanguíneos.

Por que tratar se não sinto nada?

Porque previne infartos, derrames (AVCs), insuficiência renal e outras complicações graves.

Sinais de Alerta - Quando Procurar Atendimento Imediato

🚨 PROCURE PRONTO-SOCORRO SE APRESENTAR:

  • Dor no peito forte

  • Falta de ar intensa

  • Fraqueza ou formigamento em um lado do corpo

  • Dificuldade para falar

  • Dor de cabeça muito forte e súbita

  • Perda de visão súbita

  • Confusão mental

  • Pressão muito alta (≥ 180/120) com mal-estar

Quando Retornar ao Médico
  • Se a pressão ficar acima de 140/90 em casa várias vezes
  • Efeitos colaterais das medicações (tonturas, tosse, inchaço)

  • Dificuldade para comprar os remédios

  • Dúvidas sobre o tratamento

Cuidados em Casa

📏 Como Medir a Pressão Corretamente:

  • Use aparelho automático de braço (mais confiável)

  • Descanse 5 minutos sentado antes de medir

  • Não fume, não tome café 30 min antes

  • Braço apoiado na altura do coração

  • Meça 2-3 vezes, com 1-2 minutos de intervalo

  • Anote os valores e mostre ao médico

🥗 Alimentação:

  • Reduza o sal: Não adicione sal na comida, evite temperos prontos, enlatados, embutidos

  • Aumente frutas e verduras: Pelo menos 5 porções/dia

  • Alimentos bons: Banana, laranja, folhas verdes, feijão, lentilha

  • Evite: Refrigerantes, salgadinhos, congelados, fast-food

🏃 Atividade Física:

  • Caminhe 30 minutos, 5 dias por semana

  • Se não conseguir: comece com 10 minutos e aumente aos poucos

  • Qualquer movimento ajuda: subir escadas, jardinagem, dançar

💊 Medicações:

  • NUNCA pare por conta própria - pode causar infarto ou derrame

  • Tome todo dia no mesmo horário (ajuda a lembrar)

  • Se esquecer: tome assim que lembrar (mas não dobre a dose)

  • Efeitos colaterais: converse com seu médico, ele pode ajustar

🚭 Pare de Fumar:

  • O cigarro aumenta muito o risco de infarto e derrame

  • Procure ajuda: UBS tem programa de cessação tabágica

🍺 Álcool:

  • Se beber: no máximo 1-2 doses/dia

  • Melhor ainda: evitar completamente

Dúvidas Frequentes

"Posso parar o remédio se a pressão normalizar?"

NÃO. A pressão normalizou porque você está tomando o remédio. Se parar, ela sobe novamente.

"Remédio de pressão faz mal para os rins?"

NÃO. Na verdade, protege seus rins. O que danifica os rins é a pressão alta não tratada.

"Vou tomar remédio para sempre?"

Provavelmente sim. A hipertensão é uma doença crônica. Mas com tratamento correto, você viverá bem e evitará complicações.

"Posso tomar remédio natural ao invés dos comprimidos?"

Os remédios receitados pelo médico têm eficácia comprovada. Chás e naturais podem ajudar, mas NÃO substituem os medicamentos.


RESUMO FINAL:

✔ Tome suas medicações todos os dias

✔ Reduza o sal e melhore a alimentação

✔ Pratique atividade física regular

✔ Pare de fumar

✔ Meça sua pressão em casa regularmente

✔ Compareça às consultas

✔ Procure atendimento urgente se tiver sintomas graves

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